sábado, 12 de abril de 2008

A CULPA É DA MÃE

















Todo mundo que conhece alguma coisa de psicanálise sabe que não temos pra onde correr, Freud nos deixou vários sinais de que a culpa é mesmo da mãe!
A idéia original já foi deturpada, entortada, mas fato é que a primeira sensação de abandono que vivenciamos vem com a perda do paradisíaco útero materno. Daí por diante, sempre que temos uma experiência de perda, adivinhem do que a gente lembra?

Freud descreveu três grandes desilusões da humanidade, que chamou de feridas narcísicas. A primeira ocorreu quando Copérnico provou que a Terra não era o centro do Universo, mas, unicamente, um dos muitos corpos celestes que se movem no espaço cósmico, ou seja:
- “Filhinho, o mundo não gira em volta do seu umbiguinho!.
Depois, Darwin afirmou que o homem não foi criado à semelhança de Deus e era, simplesmente, uma das conseqüências do processo evolutivo das espécies.
Hoje assisti pela milésima vez uma matéria gravada com o Romário dizendo que, quando nasceu, Deus apontou pra ele e disse: “Esse é o cara!”.

Pela milésima vez, fiquei pasma com a cena. Gente, Jesus dizia que ele era o caminho, mas o Romário, segundo ele mesmo, é "O" destino. Ele se acha (ou melhor, se sabe) “O” Cara!
Quem é que põe uma coisa dessas na cabeça de uma criatura, senão sua santa mãezinha?
A terceira – ferida narcísica – foi “causada” pelo próprio Freud. Ele descobriu que nós não somos sequer senhores de nós mesmos, pois toda nossa racionalidade é identificada com o consciente, mas existe também o inconsciente, que não controlamos.
Gente, será que o Romário sabe disso?


A foto que ilustra o post é de Romário diante da estátua erguida em sua homenagem em São Januário.

segunda-feira, 24 de março de 2008

MULHER DE “CATIGURIA”

















Em agosto do ano passado a Vogue brasileira trouxe três ensaios fotográficos com Camila Pitanga. Não era pra menos, naquela época ela e Wagner Moura carregavam a novela “Paraíso Tropical” nas costas.
Sua personagem, Bebel, era a vilã mais querida do Brasil. Poucas atrizes conseguiriam fazer isso. Camila fez. Bebel não era como outros personagens de novela, ela era complexa, humana, cheia de sutilezas e nuances. Sua prostituta era admirada, copiada e, no máximo, considerada amoral.
Na Vogue (348, agosto de 2007)Paulo Vainer e Verônica Casetta a fotografaram em um playground gráfico, Gui Paganini no corredor do Copacabana Palace e Bob Wolfenson fez suas fotos na Restinga de Marambaia – Camila linda e loira (mesmo!!!), com um vestidinho estampado drapeado de André Lima (R$8.750,00) arrastando na areia (Jesus, segura!). Textos do cineasta Jorge Furtado, de Millor Fernandes e Antônia Pellegrino costuraram a edição. Tudo de bom. Um deles termina seu texto assim: “Camila é, como diria Noel rosa, ‘coisa nossa’, uma personagem de um Brasil que deu, e dá certo”.
http://rgvogue.ig.com.br/making_of/2007/08/11/camila_para_vogue_2_959624.html

Minha admiração por Camila não começou e nem terminou com a novela, muito menos com o ensaio da Vogue. Camila tem o que eu não tenho, é o que eu não sou. Ela tem aquela postura de bailarina, conquistada em aulas de ioga, a fala mansa, rouca, aquela cara de quem acordou bem e está de bom humor. Ela é toda boa! Só a vi na TV, mas reparem, ela dá entrevistas com as mãos postas... Um jeito feminino que não existe sobrando por aí.
Segunda–feira passada estava eu zapeando quando me deparo com Camila no GNT dominando a cozinha do Claude Troisgros. Gente a mulher está grávida, o rosto arredondou levemente. Ela conseguiu ficar ainda mais bonita. Usava um vestidinho de seda estampado lindíssimo e dava ordens ao Claude: “Corta a berinjela em cubinhos!” “Vai pra lá!” “Vem pra cá!”. Ela estava preparando um prato tailandês. É... ela fez uma viagem à Tailândia e aproveitou pra fazer um curso de culinária de dois dias. O prato escolhido foi camarão ao leite de coco e curry verde. Vocês acham que ela chegou lá com o curry pronto? Não, fez na hora. Pilãozinho na mão, mandou ver. Coube ao Renato Machado o desafio de harmonizar e ele escolheu três vinhos: dois australianos e um francês. Camila deu outro show, paladar apurado compreendeu as explicações de Renato Machado e “traduziu” a experiência de saborear um vinho que deixa na boca uma sensação compatível com a do prato.

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM803054-7822-CAMILA+PITANGA+NO+MENU+CONFIANCA,00.html

Desliguei a TV babando e suspirei desconsolada com a impossibilidade de sentir o cheirinho do curry, da pimenta, dos camarões boiando no leite de coco, da Camila...
Cheia de inveja racionalizei: “Ela é enteada da Benedita...nenhuma vida é perfeita!” – e fui dormir.

terça-feira, 11 de março de 2008

Sobre patos e cogumelos
















Sai da casa de meu pai apenas aos 27 anos de idade, por isso tivemos muito tempo para conversar. Muitas vezes, quando eu contava a ele que havia me decepcionado com alguém, era “obrigada” a ouvir a história do pato:
- Filha, se uma coisa caminha feito um pato, tem bico de pato, tem penas de pato, faz som de pato e anda com outros patos, muito provavelmente - é um pato (ou uma pata)!
Talvez fosse fácil para ele perceber quem era pato, quem não era. Mas, a verdade é que, quem está se relacionando com um pato, quase sempre quer ou precisa se enganar. Mesmo reconhecendo que “o pato é pato” costumamos pensar que nossa dedicação, nossa amizade, nosso amor, são tão poderosos a ponto de modificarem a “natureza”, transformando o pato em cisne.
E aí, vale a sabedoria de Rony Weasley, em Harry Potter e o Cálice de Fogo: "Cogumelos venenosos não mudam sua natureza".
Se não podemos, ou se não queremos, jogá-los fora, ao menos devemos ter em mente o que eles são!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Mulheres

O dia Internacional da Mulher se aproxima. É mesmo?
O que tenho a dizer? Não digo.
Onde estão minhas amigas? Se não conversarmos o mudo para. Não sabiam?

"Quando Baltasar entra em casa, ouve o murmúrio que vem da cozinha, é a voz da mãe, a voz de Blimunda, ora uma, ora outra, mal se conhecem e tem tanto pra dizer, é a grande interminável conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta."

José Saramago em Memorial do Convento
Pintura de Renoir, Jovens Conversando, 1898.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

As pessoas mentem










Meu marido acaba de me telefonar. Perdeu uma viagem a Israel. Estava chateado, afinal de contas sua esperança foi frustrada, mas me contou rindo. É o jeito dele...
Perguntei: Por que a viagem furou?
Ele respondeu: Porque as pessoas mentem!
Lembrei de um tempo em que eu freqüentava saraus, melhor dizendo/escrevendo, tertúlias...

 Adorava recitar Augusto dos Anjos. Para mim, Augusto só tem sentido lido alto*.


*Eu queria mesmo era escrever, que ele só tinha “graça” em voz alta, recitado, mas tenho certeza de que o autor se ofenderia gravemente.

Eu gostava muitíssimo de ver as expressões nos rostos dos amigos. Nós ali sentados, pilhas de livros a nossa volta, velinhas acesas, os sentimentos exacerbados pela poesia, pelo vinho e pela boa comida, e era eu ler Augusto dos Anjos – se quebrava imediatamente o clima de encantamento!


Certos amigos pensavam que eu recitava Augusto porque estava deprimida, mal-amada, mal-comida. Vá lá! Algumas noites isso era bem verdade. Entretanto, na maioria das vezes eu tinha mesmo era a necessidade de contemplar um lado da natureza humana – a capacidade de trair, de ferir, de mentir, de abandonar. Por isso “estragava” o momento, meio que para lembrar que a vida, a intimidade e a poesia também, às vezes, têm cheiro de podre. Fazer o quê?


Hoje convido, leia você em voz alta:


VERSOS ÍNTIMOS



 Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Descobri esta semana, folheando na Livraria Cultura: O poema acima foi incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 61.



terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Não dá, não pode, não tem!

Janeiro é o mês do IPTU, do IPVA, do material escolar, do uniforme novo. Ainda por cima, é o mês depois de dezembro, dos gastos com as festas de fim de ano e com a viagem de férias. O jeito é esperar por janeiro poupando e, quando ele chega, procurar economizar pesquisando preços, refletindo sobre nossas escolhas.
Escolhi um dia para comprar o material escolar do meu filho. Entrei em uma grande papelaria, pedi um orçamento, fui a uma outra, negociei. Em princípio aquele parecia ser o dia do NÃO. Uma vendedora dizia: “Não, não tem um similar de boa qualidade!”. Eu pedia: “Dá uma olhadinha, vê se não tem no estoque...” Ela ia até outra prateleira, se abaixava, olhava com cuidado e descobria que tinha. Outra vendedora me falava: “Não pode! Não dá, o preço é esse!” Eu pedia para chamar o gerente, conversava um pouco, mostrava o preço cobrado pelo concorrente, falava que ia pagar à vista, e, por fim, conseguia o pleiteado desconto.
No fim do dia pensei orgulhosa: “É... eu dei um jeitinho!”. Entretanto, esse não foi o tal “jeitinho do Gerson” de levar vantagem em tudo. Muitas vezes as pessoas usam o famoso “Será que não dá pra dar um jeitinho?” na tentativa de descumprir uma regra, de levar vantagem. O jeitinho que eu tive que dar foi diferente. Foi um esforço para transformar confronto em conciliação.
Segundo o Dicionário Aurélio, confrontar é pôr frente a frente, enfrentar, atacar de frente, afrontar. Era isso que de início estava acontecendo - um confronto. As vendedoras diziam: “Não tem, não pode, não dá!”. Estavam na minha frente, não me deixavam passar, me impediam de concluir minha missão – comprar material de boa qualidade pagando um preço justo. Eu tive que tirá-las da minha frente e passá-las para o meu lado. No Aurélio este é o significado de conciliar - pôr em boa harmonia; pôr de acordo; congraçar; reconciliar.
O que aconteceu comigo neste dia é comum. Muitas vezes vamos a algum lugar e não somos tratados como gostaríamos, encontramos pessoas que deveriam estar do nosso lado, mas que, não se sabe por que, estão impedindo nossa passagem. O que fazemos? Buscamos confronto ou conciliação?
Se alguém nos decepciona – chefe, colega de trabalho, médico, empregada, marido, filho - como reagimos? Grande parte das vezes, confrontando: “Não aceito isso!”; “Não quero mais que isso se repita!”. “Não faça assim!”.
É ainda mais difícil não confrontar quando alguém aponta nossos erros, nossas falhas. O mais comum é respondermos: “É, mas... você também...”. A melhor resposta deveria ser na busca da conciliação – “O que posso fazer agora para corrigir meu erro? Como posso ajudá-lo nesse momento?”.
Muitas vezes somos nós que durante o expediente de trabalho, nas relações com as pessoas com quem convivemos, dizemos: “Não dá, não pode, não tem!”, quando na verdade, se procurássemos ou tentássemos um pouquinho - dava, podia, tinha.
Quando não dá mesmo, não tem mesmo e não pode mesmo - ainda assim, há ocasiões em que podemos ter uma atitude conciliatória ao invés de confrontar. Podemos buscar uma forma de ficar ao lado, de apoiar na consecução do objetivo alheio.
É janeiro, o ano está só começando, podemos ao menos tentar, não é mesmo?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Promessa de ano novo

Este ano vou me alimentar melhor!
Ano passado fui a umas palestras da minha amiga e nutricionista - Cris. Na palestra ela ensinava o que devemos fazer para nutrir nossas células. Explicou que não basta fazer uma dieta de X calorias por dia, devemos escolher alimentos ricos em nutrientes para manter nossas células funcionando do jeito que tem que ser. O pão feito com farinha branca é carboidrato tal e qual a mandioca cozida, só que não tem os mesmos nutrientes.
Biscoito, bolo, empada – são “coisas” cheias de gordura “trans”. Esta maldita gordura se deposita (não só na minha barriga e culotes) nas paredes das nossas células, no lugar que seria da “boa” gordura. A parede celular fica rígida, impede que a célula coloque para dentro o que é bom e para fora o que é tóxico. Palestra boa: curta, com informações pontuais, úteis e claras.
Papo vai, papo vem, a Cris disse que temos “zilhões” de bactérias no estômago – umas boas, outras ruins. Nossa missão, tal e qual em um vídeo-game – nutrir as boas e liquidar as ruins, matando-as de fome! Flora intestinal saudável é T-U-D-O. Sabe a serotonina? Grande responsável pela nossa alegria de viver? 90% dela é produzida no estômago. Comecei a entender porque quando alguém está aborrecido dizemos que está “enfezado” = cheio de fezes.
Sabe onde o bicho pega? As bactérias ruins adoooooram açúcar e as boas gostam de verduras, frutas e legumes. Eu alimento as boas, mas tenho uma peninha de ir dormir e saber que bilhões de seres estão morrendo de fome por minha causa... Aí eu faço uma visita à geladeira e como um docinho, só pra aliviar minha consciência...
Mas, este ano vai ser diferente!