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domingo, 11 de outubro de 2009

Eu, minha meninas, e as compras III


Os posts com os surtos nas compras fizeram certo sucesso. Quem lia, elogiava, me contava seus próprios surtos e eu dei boas risadas com histórias que eu jamais poderia imaginar.
Aquela minha amiga, tão centrada, tão controlada, tem dois pares de sapatos iguais no armário? Impossível! E sabem o melhor (pior)? Ela nunca usou nenhum dos dois.
Desta vez vou contar o santo – a Santa Gisele - “Minha Colega de Trabalho”, médica, intensivista, treinada na vida e na profissão a agir com rapidez e coerência... pois bem...
A Gi tinha um sapato preto e branco – bicolor. Ela adorava esse sapato que havia comprado em São Paulo. Lembrava-se de que, no dia da compra, pensara:
- Eu devia levar dois. Esse sapato é a minha cara!
Sensata, só comprou um.
Anos depois, o tal sapato, de tão usado, não estava em condições nem de ser doado e Dra. Gi, novamente em São Paulo, resolveu procurar um substituto à altura. Encontrou um similar e, desta vez, não hesitou – comprou dois!
E aí... ambos os dois pares, juntos, no exagero, na redundância - por haver infligido aos seus pesinhos sofrimentos inenarráveis - passaram a repousar, unidos, no fundo de seu armário.
Depois deste e de outros relatos, tive certeza, “alguma coisa acontece” em Sampa, mas não é onde Ipiranga e São João se cruzam...
Fui informada de que no Century Twenty One, em Nova York, eu também não fui a única a surtar não...
A Riachuelo parece ser outro Templo da Perdição. Por lá, outra “Colega de Trabalho” atacou uma arara cheia de cachecóis e levou pra casa um branco, uma azul, um verdinho, um marrom, um marrom com laranja...
Estão todos lá no closet dela viu? Se alguém precisar ela empresta.
Outro ponto interessante: percebi que, quase sempre, quem conta um surto tem a necessidade de contextualizá-lo:
- Eu tinha acabado de terminar um namoro...
ou
- Eu estava no Rio, com meus dois filhos pequenos, meu marido estava estudando para passar em um concurso, fui convidada para ir a uma festa...
E aí... aquele vestidinho caríssimo exposto na vitrine foi comprado em menos de 10 minutos.
De modo que, a surtada que encerrará a trilogia, merece que seu contexto seja compartilhado.
Quem nunca passou uma temporada fora do Brasil e morreu de saudades de um arrozinho com feijão atire a primeira pedra nesta minha amiga, “Mãe Marista”.
Flávia é loira, tem olhos azuis – é mesmo linda. Linda e hiperativa. Totalmente funcional. Faz tudo acontecer com eficácia, desenvoltura, competência e rapidez. Deste modo ela administra finanças, obras, campanhas beneficentes e, claro, a vida do marido e de três filhas pequenas. Só por isso ela já teria o direito de surtar, ao menos, uma vez por semana. Mas, em geral, ela é muito comedida, compra o que precisa, avaliando a qualidade, a durabilidade e o preço.
Para vocês terem uma idéia, a Flávia é indicada para ser entrevistada por representantes de empresas que querem se instalar em Brasília. É verdade. Ela avalia os produtos, dá um parecer e...voilá! Lá se vai um representante comercial sabendo que seu produto é bonito, sofisticado e podia ser melhorado, mas que se não for, vai ser vendido em Brasília do mesmo jeito. Comprado por ela? Jamais!
Flávia é mineira, mora em Brasília há anos, mas seu surto aconteceu quando ela morava nos Estados Unidos. Ela já estava lá há séculos. O marido foi a trabalho. Como as meninas eram bem pequenas, ela se dedicava “apenas” ao lar. Arrumava, lavava, passava, cozinhava, levava as meninas à escola... Com amor, carinho, aproveitando aquele momento e sabendo que as meninas teriam aquelas lembranças para sempre. Entretanto, contava os dias para voltar ao Brasil, e faltavam exatamente 58 dias para Flávia se ver livre das roupas de dona de casa americana, quando...
Soube de uma feira de produtos brasileiros na cidade em que morava, colocou as meninas no carro e voou para o lugar. Ela conta:
- Gente, quando eu entrei na feira, eu senti um cheiro de pastel... Enlouqueci!
Pediu um de carne, um de queijo, outro de banana com queijo, um de queijo com goiabada. Enfim, toda a mineirice dela veio à tona.
Ela segurava um pastel, colocava outro na boca, entregava um para uma filha, outro para a outra. Totalmente feliz, preenchida, vivendo aquela alegria que só a gordura e o açúcar podem nos trazer.
Não gente, o surto não foi esse não. Ou, melhor, não foi só esse não.
Ela continuou andando pela feira e encontrou pão de queijo. Pão de queijo. Puro. Simples. Pão de queijo.
Ela comeu horrores e fez as meninas comerem também.
- Come filha, é pão de queijo!
Um, dois, cinco, nove pães de queijo depois... quando já estava saindo, a vendedora ofereceu:
- A Senhora não quer levar uns saquinhos para assar em casa?
Ela avançou na mulher.
- Claaaaaaro! Quantos a senhora pode me vender?
- Eu tenho muitos. Quantos a senhora quer?
Pergunta maldita.
Flávia fez as contas. Cada saquinho tem uns 15. Nós somos 5. Cada um deve comer uns 6 por dia. Então são dois saquinhos por dia. São 58 dias... A senhora tem uns 100 saquinhos?
A vendedora está sorrindo até hoje. Muito contente e solícita, ela vendeu para Flávia os 100 sacos de pão de queijo congelados e também os containeres refrigerados onde eles estavam guardados, para que ela pudesse transportá-los e armazená-los em segurança.
Pensam que acabou?
De jeito nenhum. Surtada em 100, surtada em 1000.
Enquanto rolava a operação “junta gente para levar esses containeres até o carro”, a tal vendedora resolveu oferecer água de coco para as crianças.
- Água de coco? A senhora tem água de coco? Por que não me disse antes?
E pronto.
- Beba filha! Beba! É água de coco!!!
(Detalhe, as meninas não nasceram nos Estados Unidos. Elas estavam cansadas de saber o que era água de coco e pão de queijo!).
Resultado: além dos 100 sacos de pão de queijo, Flávia levou para casa 250 garrafinhas de água de coco. Daquelas pequeninhas, de 250 ml - para que cada um pudesse tomar ao menos uma por dia, até a hora de voltar pro Brasil.
- Mãe, isso não estraga não?
- Não filha, está congelado. A gente vai descongelando aos poucos...
Todo surto, que é surto bom mesmo, acaba diante de um marido boquiaberto. Com a Flávia não foi diferente.
- Meu amor o que é isso?
Ela se deu conta da loucura. Perdeu a pose? Nunca!
- Viu, meu bem, o que eu achei? Nesses últimos dias nos vamos viver como se já estivéssemos no Brasil!
E não se falou mais no assunto. Ela foi assando os pães, dia após dia e foi tomando água de coco, dia após dia.
Lógico que lá pelas tantas ela já estava oferecendo aos vizinhos, ao carteiro, dando para os cachorros da vizinhança e, mesmo assim, sobrou muito pão de queijo e muita água de coco.
Sorte dela ter um marido compreensivo, fosse um outro, ela só ia voltar ao Brasil depois de ter tomado a última gota de água de coco.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eu, minhas meninas, e as compras II


Para que ninguém me acuse de contar só os surtos das minhas amigas, vou contar um dos meus.
Foi em 1996. Eu tinha acabado de chegar de uma viagem de 40 dias pelos Estados Unidos – Arizona, Texas, Colorado e Utah. A viagem foi, na verdade, uma jornada xamânica. Eu acampei no deserto, desci o Grand Canyon montada numa mula, fiz sauna sagrada, participei de rituais de cura e de experiências de auto-conhecimento comuns entre índios americanos. Eu cheguei exausta, mas, logo depois desse programa de índio norte-americano, 3 de minhas melhores amigas avisaram: - Estamos indo para Nova York fazer compras.
Eu, que estava precisando de uma boa dose de realidade, não quis nem saber da falta de grana. Pedi uma ajuda a minha mãe, arrumei minha mala e fui.
Meu surto foi no Century Twenty-one, um shopping que ficava ao lado das torres gêmeas.
Eu estava passeando entre araras com roupas de estações passadas de estilistas famosos, quando vi um blazer do Jean Paul Gaultier, exatamente do meu número.
Gaultier era, na época, o queridinho da Madonna.
O tal blazer estava amarrado na arara. É, estava preso por uma corrente, com cadeado e tudo. Sabem aquelas correntes de prender bicicleta? Aquelas que ficam dentro de uma mangueira de borracha transparente? Pois é. Para que eu pudesse experimentar meu objeto de desejo, eu precisava de uma vendedora com uma chave.
Rapidamente pedi ajuda a minha amiga Rosa.
- Rosa, olha o que eu achei! Mas, tá preso...
Ela puxou o cabide e a etiqueta com o preço apareceu :US$500,00.
A Rosa falou olhando bem nos meus olhos:
- Você tá doida?
- Rosa, é do Gaultier!
- Podia ser do Van Gogh, custa US$500,00!
- Não, Rosa. Olha aqui. Ele custa US$1.000,00. Só que está com 50% de desconto. Eu vou economizar US$500,00.
Já me puxando para longe do blazer a Rosa falou:
- Pois você vai economizar US$1.000,00. Eu vou te tirar daqui agora!
A vendedora vendo aquele movimento, chegou perto e disse:
- Do you wanna try it?
A Rosa deu pulo e respondeu:
- No, thank you! Ela não vai experimentar nada (Em português mesmo, juro!).
A vendedora toda simpática, com a chavinha na mão, disse:
- Try it! It’s sooooo beautiful!
A Rosa foi longo dizendo:
- Dani, o blazer é de ve-lu-do! Você mora em Brasília, lembra? Vai usar esse blazer de US$500,00, quando?
Eu consegui me livrar dela, agarrei o blazer outra vez e disparei para a vendedora:
- Yes... It is reeeeally beautiful!
Eu parecia hipnotizada. Aí a Rosa se desesperou e chamou minha outra amiga:
- Meg, corre aqui! Me ajuda! A Dani surtou.
A Meg, muito calmamente, se aproximou e ainda sem ver o blazer e sem saber do preço disse toda meiga:
- Deixa ela comprar, Rosa...
- Deixo nada! Ela depois se recupera e me pergunta porque foi que eu deixei, que tipo de amiga eu sou, porque eu não bati na cabeça dela com um tijolo...Você parece que não a conhece...
A vendedora neste momento pegou a corrente e começou a abrir o cadeado. A Rosa não se conteve:
- Dani, olha bem pra mim! Esse blazer É VERDE! Ele é da cor das cortinas do Teatro Nacional! Você vai ficar parecendo a Scarlet O’hara, com roupa feita de cortina. Larga esse blazer! Vamos pro hotel. Se amanhã você ainda quiser um blazer de veludo verde, eu volto aqui com você, e você compra.Combinado?
Sai do shopping de cabeça baixa, angustiada. Ainda na porta olhei pra Rosa e disse:
- Amiga, e se amanhã a gente chegar aqui e ele já tiver sido vendido?
Ela me abraçou e disse:
- Eu te garanto, ele vai estar aqui! Ele vai ficar aqui pra sempre!

Eu, minhas meninas, e as compras I





Sou uma mulher cercada por mulheres desde o berço. Ao nascer 5 Marias me esperavam: minha mãe - Maria Assumção, Maria da Glória - minha irmã mais velha, as gêmeas – Maria Fátima e Fátima Maria, e Maria Lúcia. Os homens estavam lá – meu pai, meu irmão César – mas não em primeiro plano. Como ocupar o primeiro plano com elas tendo tanto a falar? Difícil demais...
Na juventude me acostumei a andar em bando, mas desde lá meu bando era feminino. Ainda jovem, mas já adulta, descobri que melhor do que ter amigas era ter inimigas. Vou explicar.
Eu e certo grupo de amigas, ao invés de fazermos “amigo-oculto” nos fins de ano, fazíamos “inimigo-oculto”. Cada uma comprava para a outra algo que fosse barato, trash, que lembrasse um episódio triste, desagradável, ocorrido naquele ano. A criatividade ia longe. Fazíamos encenações, compúnhamos músicas, construíamos artefatos surrealistas. Passamos a nos chamar de “As Inimigas”, considerando o fato de que só uma inimiga é capaz de rir da sua desgraça com tamanha desenvoltura. Com o casamento, os filhos e a maturidade, As Inimigas deixaram de trocar esses “presentes”. Mas, nunca nos separamos. Agregamos novas inimigas ao grupo e seguimos a vida.
Sou psicóloga, por isso desde a graduação vivo cercada por profissionais de saúde, em geral mulheres - médicas, enfermeiras, nutricionista, psicopedagoga, dentistas. E daí surgiu meu segundo bando, o grupo que numa alusão ao Silvio Santos chamo de “Minhas Colegas de Trabalho” – uma verdadeira equipe multidisciplinar!
Três, neste caso, não é demais. Tenho outro grupo de amigas com quem me encontro regularmente – o das “ Mães Marista”. Todas são mães de crianças que estudam na escola do meu filho. Vocês podem pensar que esse grupo é chato, que a gente só fala de filhos, de deveres de casa, de professoras, de empregada... Não vou me dar ao trabalho de desmentir. Só digo que este grupo é o mais boêmio - é o que mais bebe, mais come, mais dança... Tire suas próprias conclusões...
Foi entre as Mães Marista que o assunto deste post começou:
- Vocês já surtaram nas compras? Já compraram alguma coisa e se arrependeram mortalmente depois?
A pergunta veio de uma amiga que é economista, trabalha no Banco Central. Pense! Eu pensei que ela ia puxar a conversa para um lado, e ela imediatamente virou pra outro. Dizendo em seguida:
- Gente, eu surtei na Riachuelo!
Eu caí na gargalhada! - Na Riachuelo? Jesus, que perigo!
Ela logo contou de sua loucura por roupas de cama, sejam elas: as ótimas, as muito boas, as boas, as muito caras, as caras e, como não? As de bom preço.
Ela contou que entrou na Riachuelo e viu a palavra mágica: PROMOÇÃO! Os edredons eram bons, bonitos, estavam a um bom preço.
Como não estariam? Era verão. Moramos em Brasília... (Onde nem no inverno a venda de edredons deve ser grande...)
Minha amiga agarrou 2 de casal para ela, e 4 de solteiro. Dois para cada filho! (Se eu mereço dois eles também merecem, como não?).
Ela catou três vendedoras para que a ajudassem a carregar tudo até o caixa e lá se foi. Foi? Foi. Até o carro. Numa verdadeira caravana. Ela e as três vendedores atrás, ajudando a carregar os edredons.
Naquela fila indiana meio doida caminhando pelo shopping a ficha começou a cair. Minha amiga pensou:
- Isso não vai caber no carro!
Abriu o porta-malas, apertou um aqui, outro ali. Com todos os bancos abarrotados e sem conseguir enxergar sequer uma pontinha do vidro traseiro, ela rumou pra casa.
- Onde é que eu vou colocar esses edredons quando chegar em casa? Pensava ela pelo caminho.
- Ah, meu marido me ajuda!
Ledo engano! Ela desceu do carro. Pegou um edredon e subiu em busca da tal ajuda. Mas, quando ela abriu a porta, com apenas um edredon nas mãos, o marido a olhou espantado e perguntou:
- O que é isso? Para que você comprou um edredon? Onde é que você vai colocar isso?
Ela nem respondeu, deu meia volta e rumou para a Riachuelo. Devolveu tudo! Os seis edredons!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cabe na mala?


Meu filho tem um livrinho de história que eu adoro, é o “Cabe na mala?” da Ana Maria Machado. O cavalo e a vaca vão à cidade passear, eles encontram muitas coisas interessantes em uma feira, mas na hora de colocar tudo na mala para levar de volta pra casa precisaram usar a inteligência. Eu gosto da história porque sou daquelas que adora uma comprinha em viagem e por isso sempre tenho que me perguntar: Cabe na mala?

Algumas pessoas viajam com grandes malas, carregam até a bagagem alheia e nem se importam. Eu me divirto com as histórias que começam assim: “já que você está indo pra... será que você podia...?”. Todo mundo tem uma história própria ou de algum outro amigo sobre encomendas de viagem que rende boas gargalhadas em qualquer roda de conversa. Embrulhos estranhos que fazem você passar por terrorista, um berimbau pro sobrinho que começou a fazer capoeira ontem, um isopor cheio de camarões ou caranguejos que faz com que as pessoas tapem o nariz ao passar por você - quem não carregou uma encomenda “bomba” que atire o primeiro pacote!

Eu tenho uma grande amiga e companheira de viagem, que não se importa nem um pouco de trazer encomendas para outras amigas quando viaja. Cada viagem com ela era sempre a mesma coisa, entravamos em uma grande loja ou shopping e ela tirava a tal listinha das encomendas das “colegas de trabalho” da bolsa. Eu, que não me responsabilizava nem pelas encomendas da minha mãe (que muitas vezes era quem estava custeando minha viagem) ficava pasma! Gente, aquilo não era uma lista de compras, era mais um rol de tarefas de uma gincana. As “colegas de trabalho” pediam coisas do tipo: o baton nº 45 da Lâncome. Detalhe, a Lâncome já tinha parado de numerar seus batons há uns três anos, assim, a solicitação vinha com uma observação - era importante verificar com a vendedora se o antigo nº 45 era mesmo, agora, o red cherry ou o rouge cerise(o que dependia do fato do tal batom ter sido produzido para comercialização no mercado americano ou europeu). Na lista de compras das “colegas” da minha amiga tinham pedidos inexplicáveis. Gente, pra quê uma pessoa precisa de um creme Nívea importado? Não, não era qualquer creme Nívea importado - tinha que ser o produzido na Alemanha! Sim, minha amiga recebia instruções precisas, determinando que era importante que ela virasse a latinha ao contrário e verificasse a origem do creme, porque o produzido em outros países (que não Germany) não servia!Tá, eu tinha ciúme dessa minha amiga com as tais “colegas de trabalho” (parece coisa do Sílvio Santos, né?), mas, quem é que me explica de que modo o creme feito na Alemanha é melhor, Santo Deus? Será que ele é mais grosso para ter melhor efeito no ressecamento da pele causado pelo frio e por isso serve melhor ao clima desértico de Brasília?
Algumas das tais “colegas” tinham a finesse, a delicatesse, de dar uma boa quantidade de dólares a ser usada para as despesas, mas outras perguntavam se minha amiga poderia pagar no cartão de crédito que depois elas acertariam! Gente, tem base um negócio desses? Minha amiga elegantemente não dava (ou não demonstrava dar) a menor importância a esse detalhe. Não se preocupava com relação ao dinheiro, mas ficava tensa por outro motivo. Como é que ela ia fazer se encontrasse as encomendas de Fulana e Beltrana e não a da Ciclana? Vocês não imaginam... era lápis de olho à prova d’água (pra durar da festa do casamento até a das bodas de ouro?), meia fina que não rasgava, esmalte azul escuro (uma coisa horrível, para ser usado em festa de Halloween - parece que a caneta Bic vazou!), curvador de cílios (outro item que só servia de fosse o alemão), e os perfumes então?A vendedora da Séphora (aquela dos Champs-Élysées!) dava até um gemidinho de satisfação quando minha amiga começava a encher a cestinha de compras.

A melhor história de encomenda que já ouvi, no entanto, não é minha (nem na viagem eu estava), é de outra amiga e também grande companheira de viagem. A encomenda foi feita a ela de boca, ela não anotou. A amiga disse: “Bem, será que você traz pra mim um perfume? Acho que se chama: Per Elise?!”. Em todas as perfumarias e lojas especializadas em maquiagem pelas quais passou (centas!!!) e em todos os free-shops dos aeroportos em que parou, minha amiga procurava o tal do “Per Elise”. Lá pelas tantas, essa minha amiga imaginou que o nome do perfume podia ser: Pour Elise – por causa da música do Beethoven. Muitíssimo bem humorada ela continuou a busca. Imaginem que quando as vendedoras faziam aquela cara de “Nunca ouvi falar!” ou de “Essa brasileira está falando esperanto?” – ela não dava a mínima, insistia, pronunciava de outro jeito, chegou, até a cantarolar o “tã nã nã nã nã” da música do Beethoven pra uma vendedora francesa. Quando Madame fez biquinho e mandou um: “Je suis desolée!”, minha amiga correu pela loja, agarrou uma caixinha de música, abriu a caixinha e - Voilá! Pour Elise! Nada feito! Ninguém nunca fabricou um perfume em homenagem à música de Beethoven. Na chegada ao Brasil mil desculpas e o testemunho das outras viajantes acerca do empenho da outra em procurar a encomenda. Meses depois, em uma perfumaria no shopping, fazendo hora pra sessão de cinema, a autora da encomenda, pega um vidro de perfume na prateleira e mostra a minha amiga – “Olha aqui oh! Aqui no Brasil em qualquer lojinha tem o Per Elise!”. No rótulo do perfume, o mistério desvendado – Perry Ellis!

O mundo globalizado facilitou a vida de quem quer algo importado, as encomendas hoje em dia já não são tantas e, no meu caso, nem as viagens, mas o que sempre cabe na mala são as grandes amizades e as boas recordações não é mesmo?

sábado, 7 de julho de 2007

Is everybody free? (23 de junho de 2007)


Semana pós- exames periódicos de saúde. Semana pós-remoção de tártaro dos dentes. Semana pós-Mônica Veloso.
Concluo que existem conselhos que são válidos para todo o sempre: tome cálcio, poupe seus joelhos, alongue-se, use fio dental; e existem, sim, algumas coisas que nunca vão mudar: políticos são promíscuos...
E, sim, você já ouviu isso antes.
Mary Schmich escreveu “quase” isso em uma coluna no Chicago Tribune em 1997. Em 1999, Baz Luhrmann encaixou o texto em uma música, que passou a ser tocada em 11 de cada 10 festas de formatura e em 2003, o Bial (sim o Pedro) apareceu no Fantástico traduzindo o texto... Lembrou?
Minha amiga Janne se forma esta semana (No fim deste post vocês encontrarão um recadinho todo especial pra ela. Ela foi também a inspiração para a escolha da ilustração aí acima). Assim, foi impossível não lembrar de “Everybody is free (To wear sunscreen)”! Procurei e encontrei no You tube: http://www.youtube.com/watch?v=xfq_A8nXMsQ

Aproveitem, reflitam, comentem. Estou no aguardo.

Para mais informações sobre To wear Sunscreen:
http://en.wikipedia.org/wiki/Everybody's_Free_(To_Wear_Sunscreen)

Ah, Janne, if I could offer you only one tip for the future.... sunscreen would also be it...

Mas de resto:
Passe uma semana, sozinha, em São Paulo: vá ao teatro, a um grande show, ao MASP, compre sapatos lindíssimos, coma em um excelente restaurante, volte antes que o dinheiro acabe e a poluição afete seus olhos. Passe, também, uma semana sozinha em Alto Paraíso: vá ao Vale da Lua, à Fazenda São Jorge, ao morro da Baleia, caminhe pela chapada, faça uma massagem, como pizza feita na pedra, encontre alguém que jogue tarot pra você. À noite, deite de barriga pra cima perto de uma fogueira e fique olhando as estrelas, mas volte antes que alguém te convença a ir ver disco voadores ou que os mosquitos te carreguem...
Porque, Janne, mesmo que você possa contar com Tarzan, o Boy, e até mesmo com a Chita - é importantíssimo saber se virar sozinha na selva!
Benhê, parabéns pela formatura! Te amo D+!

Eu adoro bolsas (17 de abril de 2007)


A Vogue deste mês parece uma bíblia. Não pelo conteúdo, mas pelo peso. O pacote é três em um, você compra a Vogue e leva junto a Vogue jóias e a Vogue Kids – quase 500 páginas.
Domingo à tarde agarrei minhas revistas e um pote de sorvete de morango Häagen-Dazs e me atirei no sofá. Aproveitei que meu marido e filho estavam dormindo e fiquei horas folheando a revista, brincando de ser rica.
Esbarrei em uma reportagem louca. Explico. A manchete era: “S.O.S Costas – A obsessão dos estilistas por bolsas pode deixar você em maus lençóis”. A jornalista Victoria Ceridono contava como teve que mudar sua rotina fashion por ordens médicas. No texto o ortopedista Henrique Haidar Jorge explica que o peso em excesso desgasta a articulação do ombro, desloca a coluna e tira a musculatura de sua posição ideal. Um quilinho extra na bolsa significa três vezes mais impacto no quadril e quatro no joelho.
Tudo bem, ou melhor, ou pior, tudo mal. As ilustrações da matéria eram as maxibolsas mais cobiçadas do planeta! Da Burberry, da Marni, uma mochila laranja da Prada e, por fim, a bolsa de verniz da Chanel, hit entre as editoras de moda de Paris. Quase derramei sorvete na revista. Babei!
Eu adoro bolsas. Incondicionalmente. Minhas amigas sabem disso. Posso ser vista com 1,5 cm da raiz do cabelo sem tintura, de chinelo, sem batom (isso é freqüente), com as pernas sem depilar e as unhas por pintar, mas com bolsinha sem estilo – nunca! Pode ser de palha, de plástico ou de continhas coloridas, mas eu com certeza as estou achando lindas!
Não tenho todas as bolsas que amo, mas amo as bolsas que tenho – não são muitas, mas gosto mesmo muito delas.
Não combino bolsa com sapato, muito menos com a roupa. Sei que devia, sei que bolsas são um acessório exigente e difícil, mas, não forço a barra. Na hora de sair pego a que estou com vontade e saio, sem olhar para o espelho.
Minhas bolsas em geral são atoleiros de extratos bancários, contas a pagar, batons sem tampa, cremes hidratantes de validade desconhecida, absorventes fora da embalagem, moedas de euro que sobraram da viagem feita a Roma em agosto do ano passado, cartões de embarque de viagens aéreas cuja memória se perdeu (gente, não é que eu já estive em João Pessoa?), chaves de gavetas de mesas de trabalho que eu já deixei há anos, canetas que não escrevem direito, óculos arranhados, uma escova de dentes que parece ter sido usada para limpar prataria, celular com bateria descarregada e brinquedos para distrair meu filho em restaurantes, consultórios médicos ou qualquer outro lugar em que “role uma espera”.
Quando compro uma bolsa nova é como ano novo. Faço votos que não cumpro depois. Juro que desta vez vai ser diferente. Jogo “coisas” fora e separo objetos absolutamente necessários – a carteira, meu rímel L’extrême da Lâncome – TUDO DE BOM – e um gloss. Da última vez usei até uma bolsinha própria para cosméticos, toda reluzente, como as que minhas amigas competentes usam para poder mudar de bolsa com rapidez e sem transtorno. Em questão de dois dias, porém, minha bolsa acumula novamente o lixo de uma vida. Os cosméticos misteriosamente pulam da bolsinha (tudo bem, eu sei que esqueci de fechá-la!) para a parte interna da bolsa, ou aparecem no bolso externo da bolsa, onde eu jurei que só colocaria chaves.
O pior é quando o VISA resolve desaparecer. A última vez foi quando estava na farmácia, pagando pelo filtro solar que deve custar uma semana do salário da moçinha do caixa – fiquei pra morrer de constrangimento. Fazer o quê? Meu rosto está todo descamado por causa do ácido que estou usando para tirar manchas e reduzir a oleosidade da pele. Tenho medo de comprar um outro mais barato e desobedecer à dermatologista – cuja consulta (de meia hora) deve custar mais de uma semana do salário da vendedora... Enfim, achado o cartão, paguei pelo filtro - que na semana seguinte estava sem tampa, escorrendo pelo forro da bolsa.
Responsáveis por boa parte do peso da minha bolsa são agendas e caderninhos (aqueles que são vendidos nas saídas dos museus). Sempre tenho uns dois ou três dentro da bolsa.
Meu marido me deu uma maravilha tecnológica - dessas que prometem conectar você ao mundo, guardar nomes, endereços, telefones e e-mails de todos que alguma vez já te deram um bom dia. Só que a “maravilha” funcionaria, apenas, se a bateria fosse carregada – coisa difíííícil de acontecer... Ele diz que não acredita em papeizinhos, quando me vê anotando telefones ou horários de consultas em um das minha três agendas ou, quando não as localizo - no verso daqueles folhetos que colocam nos pára-brisas dos carros oferecendo dinheiro rápido, o coitado fica em tempo de enfartar.
Quando entro no elevador e me olho no espelho, por vezes, fico rindo sozinha, feito besta. É que alguns dias pareço os xerpas, aqueles guias do Nepal que carregam as coisas dos alpinistas que vão escalar o Everest.
Um amigo me disse que, invariavelmente, uma mulher que carrega uma garrafinha de água para onde vai é uma chata. A partir de então carrego só, meia garrafa.
Eu poderia fugir de casa levando somente minha bolsa. Acreditam que agora que eu voltei para ginástica, consigo acomodar meu tênis na bolsa?
Minha bolsa é um buraco negro e denso. Passo horas tentando pescar coisas lá dentro (uma lanterna poderia ser útil, mas se eu a guardasse na bolsa...), mas não a abandonarei, mesmo tendo medo de ter uma bursite e de precisar de uma cirurgia após anos usando bolsas com quase 5 quilos de tralha.
Queridas, acima, ilustrando esse post - meu soooonho de consumo – essa bolsinha Jimmy Choo de €791,67.

Let's go shopping! (16 de abril de 2007)


Tá, já que voltei para ginástica, tive que comprar roupas adequadas e um tênis.
Por roupas adequadas entendam: tops que tampem minha barriga, camisetas para colocar sobre os tops – que tampem minha barriga, calças que escondam minha depilação vencida e que tenham um cinto, um cós, enfim, qualquer coisa que - tampe minha barriga!
Preciso de tops milagrosos que ao mesmo tempo aumentem e levantem meus seios, sem, contudo, deixar que eles saltem pra fora no primeiro segundo da aula.
Decidi olhar primeiro o que as mulheres “da minha idade” estavam usando. Malhei em horários diferentes, fiz atividades diferentes. E, surpresa: “Elas usam o mesmo que as meninas do Galois”.
Fui ao shopping e minha vontade era experimentar uma “ankle boot” da Osklen – TUDO DE BOM! – que eu vi na Vogue este mês. Só para curtir, para ter aquele momento “Gisele”, porque ela custa quase um mês de mensalidade do Galois, ou seja mais de mil reais!


Para minha sorte ou azar, sei lá, a “botinha” não chegou a Brasília... (Why? Será que é porque a seca já chegou, o sol ta de rachar e alguém lá no Rio ou em São Paulo acha que a gente não gosta de moda outono-inverno?)
Então tá, sem a bota, fui procurar o tal tênis novo.
Amigas, vocês sabem o tipo de pisada de vocês?
Sabem se são supinadoras ou pronadoras?
Mas são supinadoras ou pronadoras severas, moderadas ou leves?
Acaso, têm conhecimento se seus pés são planos, côncavos ou convexos? (Não, “Côncavo e convexo” não é só aquela música do Rei Roberto).
Pois é, não basta escolher a marca, a cor ou o modelo bonitinho, é preciso ter consciência corporal pra comprar um tênis. Se você não tem, para evitar humilhações públicas, descubra. Peça a alguém que tire uma foto sua de costas e olhe seus calcanhares; observe a sola dos seus tênis antigos e veja onde eles estão gastos; veja dentro do tênis como fica sua palmilha depois de uns meses de uso; pinte seus pés com tinta guache e pise em uma folha de papel A4, consulte os sites da Nike, da Adidas, da Mizuno ou, se você “tem bala na agulha” – pergunte ao seu personal trainner – e ele que se vire pra descobrir.


Eu sai da loja com um tênis para pronadoras moderadas de pé plano. Traduzo: para mulheres que têm pé chato e pisam para dentro, colocando muito peso atrás e pouco na frente. Paguei o dobro do que queria gastar em um tênis, mas metade do que poderia ter gasto se tivesse comprado a “ankle boot” da Osklen.

Meu tênis novo... Ironia do destino, “atende” pelo nome de Nirvana (rs...rs...rs... rs...)